Seu lucro está mentindo: o erro clássico no preço de venda 💰⚠️

Gancho: Se você calcula preço assim, você pode estar lucrando menos sem perceber.

Você olha o extrato, vê dinheiro entrando, paga as contas, fecha o mês e pensa: “estamos indo bem”. Só que aí vem a realidade: falta caixa, o estoque gira e mesmo assim a empresa parece sempre no limite. Você trabalha mais, vende mais, e a sensação é que a empresa não enriquece. A conta não fecha.

Isso não é azar. É matemática mal feita.

E tem um erro clássico, repetido em milhares de empresas, que cria a ilusão do lucro: precificar pelo “custo do produto” e ignorar o custo real de vender. O nome muda (markup, margem, “dobro do preço”, “30% em cima”), mas o resultado é o mesmo: margem falsa.

Este artigo é para você que já passou da fase do improviso e quer gestão de verdade. Sem romantizar. Sem “achismo”. Só controle.


✅ O que você acha que é lucro… e o que lucro realmente é

Vamos começar com uma frase que dói, mas te salva:

Vender com preço errado é como dirigir com o painel quebrado: você acha que está tudo bem… até o motor fundir.

O que muitos empresários chamam de “lucro” é só diferença entre preço de venda e custo do produto. Isso é no máximo margem bruta — e ainda assim, frequentemente calculada errado.

Lucro real é o que sobra depois de pagar tudo o que existe para vender:

  • imposto
  • comissão
  • taxas de cartão
  • frete
  • devoluções e perdas
  • custo de operação (pessoas, sistema, estrutura)
  • custo financeiro (prazo, antecipação, juros)
  • marketing e aquisição
  • inadimplência

Se você não coloca isso na conta, você está fazendo uma coisa bem específica:
financiando o cliente com o seu patrimônio e chamando isso de venda.


🎯 O erro clássico: confundir “custo do produto” com “custo de vender”

❌ O cálculo errado (o mais comum)

  • Produto custa R$ 100
  • Você coloca “30% em cima”
  • Preço vira R$ 130
  • Você pensa: “lucro de R$ 30, margem de 30%”.

Só que você ignorou o óbvio:

  • Imposto (digamos 10% do faturamento) = R$ 13
  • Comissão (5%) = R$ 6,50
  • Taxa do cartão (3%) = R$ 3,90
  • Frete subsidiado = R$ 8
  • Perdas/devoluções médias = R$ 2

Total que “some”: R$ 33,40

Agora refaz a conta:

  • Receita: R$ 130
  • Custo do produto: R$ 100
  • Custos de venda: R$ 33,40
  • Resultado: – R$ 3,40

Você vendeu. Trabalhou. Entregou. E pagou para o cliente levar.

E o pior: como entra dinheiro, você não percebe na hora. Você só percebe quando o caixa aperta, quando o limite do banco aumenta, quando o estoque precisa ser reposto e você não tem capital.

📌 Esse é o “lucro mentiroso”.


🧨 Margem falsa: o veneno silencioso que mata empresa em crescimento

Crescer com margem falsa é pior do que não crescer. Porque você amplia:

  • volume de entregas
  • esforço operacional
  • risco fiscal
  • inadimplência
  • necessidade de capital de giro

…sem ampliar o lucro.

Isso cria o cenário clássico:

✅ faturamento sobe
✅ equipe aumenta
✅ rotina fica mais pesada
❌ caixa fica pior
❌ dono vira bombeiro
❌ empresa “cresce e empobrece”

E o culpado quase sempre está na precificação.


🧩 Os 4 buracos por onde seu lucro vaza (e você finge que não vê)

1) Impostos: “depois eu vejo”

Imposto não é surpresa. É regra do jogo.
Se você precifica sem imposto, você está mentindo para si mesmo.

Erro comum: calcular margem em cima do custo e esquecer que imposto incide sobre faturamento (preço de venda).

📌 Pergunta que dói:
Você sabe seu percentual médio de impostos sobre venda, por regime e tipo de operação?

Se a resposta é “mais ou menos”, você está precificando no escuro.


2) Comissão: “é pouco”

Comissão é variável e cresce com vendas. E tem um detalhe:
ela incide sobre venda, não sobre lucro.

Se você paga 5% de comissão, isso já consome margem. Se paga 8% ou 10%, o estrago é maior. E se você tem metas agressivas, tende a empilhar comissão em cima de preço frágil.

📌 Pergunta objetiva:
Sua comissão foi desenhada para incentivar venda… ou para destruir sua margem?


3) Frete: o “presente” que sai do seu bolso

Frete é um dos maiores crimes de precificação.

  • frete grátis
  • frete subsidiado
  • frete “pra fechar”
  • frete “só hoje”

Você dá frete como se fosse marketing, mas ninguém mede se aquilo voltou como margem.

📌 Regra simples:
Se frete não entra no cálculo, você está vendendo com prejuízo sem saber.


4) Taxas e prazos: o custo financeiro invisível

Cartão e parcelamento não são neutros.

Se você vende em 6x e antecipa, você está pagando juros.
Se vende com prazo longo no boleto, você está financiando o cliente.
Se tem inadimplência, você está doando margem.

📌 Pergunta que separa amador de gestor:
Você precifica diferente à vista, no cartão, no boleto e no prazo?

Se não, você está cobrindo o custo de quem paga devagar com o dinheiro de quem paga rápido — e chamando isso de “estratégia”.


🧠 A diferença entre “markup” e “margem”: onde quase todo mundo se engana

Vou dizer sem delicadeza: a maioria usa markup errado.

Markup (muita gente calcula assim)

“Vou botar 30% em cima do custo.”

Isso gera um preço, mas não garante margem real, porque os custos variáveis incidem sobre a venda.

Margem (o que importa de verdade)

Margem é o percentual do preço que sobra depois de custos.

  • Preço: 100
  • Margem 30% significa: 30 sobra, 70 cobre custo + despesas variáveis.

Já no markup:

  • Custo 70
  • Markup 30% → preço 91
    Isso não é margem 30%. É outra coisa.

📌 Se você mistura os dois, você pode achar que tem 30% e ter 10% ou 0%.
É assim que empresa “lucrativa” quebra.


✅ Como calcular preço do jeito certo (modelo simples e robusto)

Você não precisa de MBA. Precisa de um modelo que considere custos variáveis.

Passo 1: Liste os custos variáveis (% do faturamento)

Exemplo típico (ajuste para sua realidade):

  • Impostos: 10%
  • Comissão: 5%
  • Taxa cartão: 3%
  • Inadimplência/perdas: 2%
  • Total variáveis: 20%

📌 Esses 20% incidem sobre o preço de venda.


Passo 2: Defina a margem de contribuição desejada

Margem de contribuição é o que sobra para pagar despesas fixas e dar lucro.

Exemplo:

  • Você quer margem de contribuição de 25%.

Passo 3: Calcule o “percentual que pode ser custo do produto”

Se variáveis = 20% e margem desejada = 25%
Então o produto + custo direto pode ser no máximo:

100% – 20% – 25% = 55%

Ou seja: o custo total direto pode representar 55% do preço.


Passo 4: Fórmula prática

Preço de Venda = Custo Direto / (1 – Variáveis – Margem Desejada)

Exemplo:

  • Custo do produto: R$ 100
  • Variáveis: 20% (0,20)
  • Margem desejada: 25% (0,25)

Preço = 100 / (1 – 0,20 – 0,25)
Preço = 100 / 0,55
Preço = R$ 181,82

Agora compare com “100 + 30% = 130”.

A diferença é brutal. E ela revela a verdade:

👉 ou você estava vendendo com prejuízo
👉 ou sua empresa sobrevive porque tem outros produtos segurando o rombo
👉 ou você compensa no grito, no volume, na exaustão e no limite bancário


🧱 “Mas se eu cobrar isso, eu não vendo” — ótimo, chegamos na verdade

Essa é a frase que denuncia tudo.

Quando você diz “não dá para cobrar”, na prática você está dizendo:

  • o mercado não paga pela minha entrega
  • meu produto é commodity
  • meus concorrentes estão precificando errado também
  • meu posicionamento está fraco
  • meu mix está mal montado
  • eu não tenho diferenciação percebida

E aí existem só duas saídas maduras:

✅ Saída 1: Ajustar proposta de valor e posicionamento

Você para de vender “produto” e passa a vender resultado, segurança, redução de risco, controle.

✅ Saída 2: Mudar mix e estratégia

Alguns itens podem ser isca (com margem menor) e outros sustentam a margem.
Mas isso só funciona se você tem controle por item, por cliente e por canal.

📌 Sem sistema e sem gestão, você vira refém de preço.


🧨 O erro que destrói empresas B2B: precificar igual para clientes diferentes

No B2B, custo de servir varia demais:

  • cliente que compra certinho
  • cliente que pede urgência
  • cliente que devolve
  • cliente que exige suporte
  • cliente que paga atrasado
  • cliente que quer desconto sempre

Se você usa o mesmo preço, você está fazendo caridade com os piores clientes — e afastando os melhores.

📌 Regra simples:

Cliente que dá mais trabalho precisa pagar mais ou ser recusado.

ICP maduro (nível 4–7) entende isso. Ele próprio pratica isso com os clientes dele.


🧾 A parte fiscal que quase ninguém coloca no preço (e dá problema depois)

Dependendo do regime e operação, imposto não é um número fixo. Varia por:

  • tipo de produto/serviço
  • NCM e tributação
  • operação interestadual
  • substituição tributária
  • cliente (CPF/CNPJ, contribuinte, isento, etc.)

Se você não tem regras claras, a empresa vira loteria fiscal.
E precificação vira loteria financeira.

📌 E é por isso que “classificação tributária muda conforme o cliente” performa bem: é dor real, cara e frequente.


🧭 Checklist do preço certo (para você usar toda semana)

✅ Se você não consegue responder isso, você está no escuro:

  • Qual meu % médio de impostos por tipo de venda?
  • Qual meu % de comissão por canal e vendedor?
  • Qual meu % médio de taxa financeira (cartão, antecipação)?
  • Qual meu custo médio de frete por faixa?
  • Qual meu % histórico de devolução/perda?
  • Qual minha margem mínima por produto/serviço?
  • Qual meu mix (itens que sustentam margem e itens isca)?
  • Quanto custa servir esse cliente específico?

Se você sente desconforto lendo essa lista, ótimo: é seu cérebro percebendo risco.


🧠 Como o ERP entra nisso (sem propaganda barata)

Vou te dar a realidade:

Você pode calcular preço numa planilha, sim. Mas planilha não aguenta:

  • variação tributária por operação
  • comissão por regra
  • canal diferente
  • custo real de estoque
  • compras com preço oscilando
  • relatórios por item e por cliente
  • margem por centro de custo
  • análises recorrentes sem erro humano

Planilha é boa para começar.
ERP é necessário para controlar consistência e escala.

E para ICP 4–7, a pergunta não é “se precisa de ERP”.
É quanto dinheiro está escapando por falta de controle.


📌 Exemplo rápido de “margem mentirosa” na vida real

Você tem um produto que:

  • custo: 100
  • vende por: 150
  • você acha que ganha: 50

Só que:

  • imposto 10%: 15
  • comissão 5%: 7,50
  • cartão 3%: 4,50
  • frete: 8
  • perdas: 2

Total: 37

Margem real:
150 – 100 – 37 = 13

Você acha que ganha 50, mas ganha 13.
E se o custo subir um pouco ou você der “desconto para fechar”, virou zero.

Agora entenda por que você trabalha tanto e não sobra nada.


🧱 O que fazer amanhã (plano prático, sem drama)

1) Defina seus custos variáveis médios (hoje)

Pegue o histórico dos últimos 3 meses e feche um percentual aproximado:

  • impostos
  • comissão
  • taxas
  • perdas/devolução
  • frete médio

Não precisa perfeito. Precisa real.

2) Defina a margem mínima por categoria

Exemplo:

  • produtos de giro: 20% contribuição
  • serviços: 35% contribuição
  • itens de risco: 30% contribuição

3) Recalcule seus 20 itens mais vendidos

Você vai descobrir duas coisas:

  • itens que você deve vender mais
  • itens que você deve reajustar ou parar de empurrar

4) Ajuste desconto e “condições especiais”

Desconto não pode ser decisão emocional.
Crie regra:

  • até X% sem aprovação
  • acima de X% precisa justificar por motivo (concorrência, estoque, canal, fidelização)

5) Pare de precificar no improviso por canal

Preço no balcão, no WhatsApp, no vendedor, no site, no marketplace: tudo isso muda custo de servir.


⚠️ Um alerta final (para não se enganar de novo)

Se você fizer esse cálculo e perceber que seu preço teria que subir muito, não conclua “meu mercado é ruim”.

Conclusões maduras são:

  • você estava precificando errado
  • você precisa reposicionar
  • você precisa vender valor (controle, previsibilidade, redução de risco)
  • ou precisa mudar mix/canal

O que não pode é continuar vendendo com margem falsa por medo de perder venda.

Porque a verdade é simples:

Venda que não sustenta margem não é venda. É prejuízo parcelado.

Se você calcula preço só “colocando uma margem em cima do custo”, cuidado: seu lucro pode estar mentindo. 💰⚠️
Impostos, comissão, taxa de cartão, frete e perdas costumam ficar fora da conta — e é aí que a margem some sem você perceber.

Para resolver isso, a DP Sistemas disponibilizou uma planilha gratuita em Excel para ajudar você a calcular o preço correto com base nos custos reais e na margem que sua empresa precisa ter.

✅ Você preenche seus percentuais e custos
✅ A planilha calcula o preço mínimo recomendado
✅ Você para de vender “no escuro” e começa a decidir com segurança

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