Troca de ERP Sem Dor? Mito. Mas Tem Como Fazer Sem Caos

Você já perdeu noite de sono pensando na troca de sistema? Aquela apresentação do novo ERP brilhando na tela, o vendedor prometendo “implementação sem dor”, “zero impacto na operação”, “transição suave como trocar de roupa”? Enquanto isso, você mentalmente lista tudo que pode explodir: notas fiscais travadas, estoque sumindo, folha de pagamento em caos, clientes insatisfeitos. Aqui está a verdade que ninguém tem coragem de falar: troca de ERP sem impacto não existe. É mentira. Ilusão de vendedor que nunca operou uma empresa. Mas tem uma outra verdade, ainda mais importante: caos não é inevitável. 🎯 O circo das promessas vazias O mercado de ERP virou um teatro de absurdos. Vendedores prometem implementações “plug and play” como se estivessem vendendo um celular novo. Empresas compram essa narrativa, desembolsam centenas de milhares, e aí vem a realidade: a equipe de suporte some, os dados não migram direito, os processos travam. Você já viu isso acontecer. Talvez tenha vivido. O sistema “perfeito” vira pesadelo porque alguém prometeu facilidade onde a complexidade era o mínimo necessário. E o pior? Quando tudo desaba, a culpa é sua. “A empresa não se adaptou”, “a equipe não engajou”, “os processos não estavam mapeados”. 💡 A cirurgia que sua empresa precisa Vamos ser brutamente honestos: trocar ERP é cirurgia. Não é um remédio que se toma e melhora amanhã. É anestesia, bisturi, recuperação, fisioterapia. Tem sangue, custo e tempo de adaptação. Mas cirurgia mal planejada mata. E cirurgia feita no momento errado também. Seu sistema atual é doente. Você sabe disso. As planilhas paralelas multiplicam, os relatórios demoram dias para sair, integrações travam, a equipe perde horas em trabalho manual. Mas o medo de trocar é real porque você já viu o filme de terror: empresas que ficaram meses sem conseguir emitir nota, gestores que perderam o controle do caixa, estoques que viraram caixa-preta. ⚡ Por que o caos é um bug, não uma feature Aqui está o twist: o caos não é parte do processo. É falha de método. As trocas que viram desastre têm padrões previsíveis. E as que funcionam? Também. As empresas que trocam de ERP sem descarrilhar fazem três coisas diferentes: Admitem que vai doer e planejam a dor Transferem conhecimento, não apenas dados Mantêm controle sobre o processo, não entregam as chaves ao fornecedor O segredo não é evitar o impacto. É controlar onde ele acontece, quando acontece e quem gerencia cada ponto de tensão. 🔥 As 3 armadilhas que matam 90% das trocas Depois de 15 anos ajudando empresas a trocarem sistema, vi os mesmos erros se repetirem. São armadilhas tão óbvias que você vai se sentir bobo por não ter visto antes. 📈 Seu plano de batalha para troca sem caos Chega de teoria. Vamos ao que importa: o que fazer na segunda-feira de manhã para garantir que sua troca não seja mais um caso de horror corporativo. Fase 1: Diagnóstico brutal Mapeie não apenas processos, mas pontos de dor reais. Onde as pessoas perdem mais tempo? O que gera mais reclamação de cliente? Identifique os “guardiões do conhecimento”. São 3-5 pessoas que se forem embora, o sistema atual para. Trate-as como ouro. Faça um inventário de integrações. Nem sempre sabe quem se conecta ao seu sistema atual. Descubra antes que descubram no pior momento. Fase 2: Piloto controlado Comece com um módulo ou uma unidade de negócio. Não tudo. Escolha a área que mais sofre com o sistema atual. O ganho rápido vai gerar momentum e provar valor. Defina métricas claras de sucesso: tempo de emissão de nota, tempo de fechamento de caixa, horas de trabalho manual. Meça antes, meça depois. Fase 3: Transição gerenciada Mantenha sistemas paralelos por período mínimo. Não é desperdício, é seguro. Crie um “comando de guerra” com reuniões diárias nos primeiros 30 dias pós-go-live. Não deixe problemas se acumularem. Tenha um plano de rollback realista. Não é derrota, é inteligência. Se der merda, você volta e reagrupa. Fase 4: Consolidação e escala Só expanda para outros módulos/unidades quando o piloto estiver estável e a equipe confiante. Documente tudo. Não documentação bonita, documentação útil: “quando X acontecer, faça Y”. Treine, treine, treine. E depois treine mais uma vez. O usuário médio esquece 70% do treinamento em 48 horas. ⏱️ A matemática da dor controlada Vamos falar de números reais. Uma troca média de ERP em empresa de 50-200 funcionários: Impacto na operação: 2-4 semanas de produtividade reduzida em 30-40% Custo real: 2-3x o valor da licença em serviços + tempo da equipe Tempo até estabilização: 3-6 meses para 80% dos processos fluírem naturalmente Mas aqui está a diferença: empresas que aceitam esses números e planejam para eles voltam à produtividade total em 4 meses. As que fingem que não existe impacto? Passam 12-18 meses em crise, e muitas voltam ao sistema antigo. 🛡️ A decisão que você precisa tomar Estamos em 2026. Seu sistema atual não vai melhorar sozinho. As planilhas vão continuar se multiplicando. A concorrência não vai esperar você se organizar. E cada dia que você posterga a decisão, o custo da troca aumenta, não diminui. A pergunta não é “vai doer?” A pergunta é “você vai controlar a dor ou deixar que ela te controle?”. Não existe troca sem impacto. Existe troca sem caos. A diferença está em reconhecer que você está entrando em uma cirurgia, não em um spa. E cirurgia requer médico experiente, equipe preparada, monitoramento constante e plano de contingência. 💥 Seu próximo passo Pare de buscar o ERP “perfeito”. Não existe. Comece a buscar o método que te dá controle. Hoje, agora, marque uma reunião com sua equipe de operações. Não com TI, com operações. Pergunte: “Onde o sistema atual nos faz perder dinheiro?” As respostas vão te mostrar onde começar. E lembre-se: todo mundo promete fácil. Poucos entregam controlado. Você não precisa de fácil. Você precisa de certeza.

Compartilhar:

Por Que Seus Projetos Falham Sem um PRD (E Como a IA Pode Salvar Você)

Você já passou semanas codando uma feature que ninguém usou? Ou descobriu no último sprint que a arquitetura inteira precisava mudar porque “alguém” esqueceu de mencionar requisitos de segurança?​ Não é falta de skill técnico. É falta de um PRD decente no início. O Problema Que Ninguém Quer admitir O PRD (Product Requirements Document) não é documentação corporativa chata. É o mapa de tesouro que separa projetos que entregam valor daqueles que viram refugo técnico.​ Para desenvolvedores experientes, o PRD é um contrato claro: ele elimina adivinhação, protege contra scope creep e garante que sua expertise seja usada no lugar certo. Sem ele, você vira marionete de reuniões intermináveis e mudanças de última hora.​ O Que Um PRD De Verdade Deve Ter 🎯 Visão de Produto e Objetivos Claros Comece com o porquê. Por que este projeto existe? Qual problema real de negócio ele resolve?​ Um bom PRD responde em uma frase: “Vamos construir X para que [persona] consiga fazer Y, gerando Z de impacto.” Sem isso, você está construindo castelos de areia. 📋 Requisitos Funcionais que Guar demanding Aqui você detalha o quê construir, não como construir. Cada feature precisa de: Exemplo prático: “Sistema de autenticação deve permitir login via Google, GitHub e e-mail. Tempo máximo de resposta: 200ms. Suporte a 2FA obrigatório para contas admin.”​ 🔒 Requisitos Não-Funcionais: Onde a Maioria Quebra a Cara Esta seção é o ouro para desenvolvedores experientes. Ela define as regras do jogo: Performance: “API deve responder em <100ms para 95% das requisições, suportando 10k RPM.”​ Escalabilidade: “Arquitetura deve suportar 10x de crescimento sem refactoring major.” Segurança: Implementação de OWASP ASVS Level 2, criptografia AES-256 em dados sensíveis, política de senhas com 12 caracteres mínimo.​ Disponibilidade: “SLA de 99,9% (8h45min de downtime/mês máximo).” Compliance: GDPR, LGPD, SOC 2 Type II. 🎨 UX/UI: Mais Que Telas Bonitas O PRD não substitui o designer, mas orienta decisões críticas: Exemplo: “Dashboard financeiro deve mostrar KPIs em cards grandes, visíveis a 2m de distância, atualização em tempo real via WebSocket.” ⚙️ Decisões Arquiteturais e Stack Tecnológico Aqui você documenta escolhas técnicas que impactam todo o projeto: Importante: Justifique cada escolha. “Usamos PostgreSQL porque precisamos de ACID strict e temos expertise interna. Redis para cache porque hit rate projetado é >85%.”​ Como o PRD Guia a IA na Criação da Arquitetura 🤖 Da Especificação para Código em Minutos Com um PRD bem escrito, você pode alimentar a IA com contexto rico em vez de prompts vagos. Veja a diferença: Prompt ruim: “Crie uma API de autenticação.” Prompt com PRD: “Baseado neste PRD, gere uma arquitetura de autenticação que suporte 10k RPM, OAuth 2.0 com Google/GitHub, 2FA obrigatório para admins, usando Node.js, Redis para sessões, PostgreSQL para users, com rate limiting de 100 req/min por IP. Inclua diagrama de sequência e estrutura de pastas.”​ 📐 Exemplo Real: Sistema de E-commerce PRD especifica: IA gera: Resultado: Você economiza dias de design inicial e foca em ajustar o que a IA gerou.​ Pontos Importantes que Não Podem Faltar 🛡️ Requisitos de Segurança (OWASP + IA) Documente ameaças específicas e contramedidas: Use frameworks como STRIDE para brainstorming de ameaças.​ ⏱️ Performance e Escalabilidade Seja específico nos benchmarks: 📊 Observabilidade e Debugging Defina o que monitorar desde o dia 1: 🧪 Estratégia de Testes 🚀 CI/CD e Deployment Template PRD Pronto para Usar Aqui está uma estrutura que você pode copiar e colar: text# Projeto: [Nome do Sistema] ## 1. Visão e Objetivos **Problema**: [Descreva a dor do usuário] **Solução**: [O que vamos construir] **Sucesso**: [Métricas quantitativas] ## 2. Requisitos Funcionais ### Feature 1: [Nome] – **User Story**: “Como [persona], quero [ação] para [benefício]” – **Critérios de Aceitação**: [Lista verificável] – **Prioridade**: Must-have ## 3. Requisitos Não-Funcionais ### Performance – P95 <200ms – Suporta 10k RPM ### Segurança – OWASP ASVS L2 – 2FA obrigatório para admins ### Escalabilidade – Horizontal scaling com K8s – Database sharding ready ## 4. Arquitetura – **Stack**: Node.js 20, PostgreSQL 15, Redis 7 – **Padrão**: Microserviços sincronos/async – **Justificativa**: [Por que esta arquitetura] ## 5. UX/UI – **Personas**: [3 principais] – **Jornadas**: [Fluxos críticos] – **Diretrizes**: Mobile-first, WCAG 2.1 AA ## 6. Segurança – **Threat model**: [Link para documento] – **Controles**: Rate limiting, WAF, JWT – **Compliance**: LGPD, GDPR ## 7. Observabilidade – **Metrics**: Prometheus, Grafana – **Tracing**: OpenTelemetry – **Logging**: Loki, 30 dias retenção ## 8. Testes – **Cobertura**: Mínimo 80% – **Performance**: Testes de carga com k6 – **Security**: OWASP ZAP no CI ## 9. Deployment – **Estratégia**: Blue-green – **Rollback**: <2min – **SLA**: 99,9% uptime ## 10. Fora do Escopo – [Lista explícita do que NÃO fazer] Dicas de Quem Já Queimou a Língua Não documente demais: PRD não é bible. Use “just enough” para alinhar, não sufocar.​ Atualize sempre: PRD vivo > PRD perfeito. Novas descobertas? Atualize. Arquitetura mudou? Documente o porquê. Review técnico obrigatório: Nenhum PRD deve ser aprovado sem review de dois devs sêniors. Eles vão achar os buracos que você não viu. Link tudo: PRD é o hub. Linke designs, RFCs, decisões arquiteturais, dashboards. Facilite o deep dive.​ Conclusão: PRD Como Filtro de Projeto Um PRD bem escrito funciona como filtro: se você não consegue preencher as seções de requisitos não-funcionais ou arquitetura, o projeto não está pronto para começar.​ Para desenvolvedores experientes, o PRD é seu melhor amigo: protege seu tempo, direciona sua expertise e garante que você constrói coisas que importam. E com IA no time, um PRD detalhado transforma de “escrever código do zero” para “orquestrar arquiteturas inteligentes”. Na dúvida, lembre-se: sem PRD, você não está desenvolvendo, está adivinhando. E adivinhação não escala.​

Compartilhar: