Seu ERP está estável ou apenas ainda não caiu?

Quase todo gestor já disse — ou pensou — algo parecido com isso:“Nosso ERP é estável. Nunca deu problema.” Essa frase parece tranquilizadora. Na prática, ela costuma esconder um risco sério: confundir estabilidade com ausência de colapso. Um sistema pode estar funcionando hoje e, ainda assim, ser estruturalmente frágil. Ele não caiu porque ainda não foi exigido de verdade. O problema é que, quando a exigência chega, não há aviso prévio. A pergunta correta não é se o ERP está rodando.É se ele aguenta o próximo estágio da empresa. Estabilidade operacional não é resiliência Muitos ERPs “antigos, mas confiáveis” operam bem dentro de um cenário conhecido: Enquanto o contexto não muda, tudo parece estável. O problema surge quando a empresa cresce, diversifica, integra novas frentes ou passa a operar sob mais pressão fiscal e financeira. Resiliência é a capacidade de absorver mudança sem quebrar.Estabilidade aparente é apenas ausência de estresse. O ERP que só funciona no cenário ideal Um sinal clássico de fragilidade é quando o ERP: Esse tipo de sistema não foi desenhado para empresas em crescimento. Ele foi feito para um retrato do passado. Enquanto o negócio evolui, o ERP permanece congelado no tempo. Quando o sistema vira risco invisível O maior perigo de um ERP frágil é que ele não avisa. Não existe alerta dizendo “esse crescimento vai causar problema daqui a seis meses”. O risco aparece de forma difusa: Nada quebra de uma vez. Mas a confiança nos dados vai embora aos poucos. A falsa sensação de segurança Muitos gestores acreditam que só precisam se preocupar quando o sistema cai, trava ou perde dados. Esse é um erro grave. Na maioria das empresas, o colapso não é técnico. É gerencial. O sistema continua funcionando, mas: O ERP não caiu. A gestão, sim. Estabilidade técnica não garante estabilidade do negócio É comum ouvir:“Nosso ERP nunca ficou fora do ar.” Ótimo. Mas responda com honestidade: Se a resposta for “mais ou menos”, o sistema não é estável. Ele é tolerado. O momento em que o ERP começa a falhar de verdade ERPs frágeis costumam falhar quando a empresa: Nesses momentos, o sistema deixa de ser suporte e passa a ser obstáculo. E então vem a frase clássica:“Antes funcionava.” Funcionava porque o cenário era menor, mais simples e menos exigente. O custo de descobrir tarde demais Quando a fragilidade aparece, a troca de ERP vira emergência. E toda mudança emergencial é cara. Custa: Trocar de sistema sob pressão não é estratégia. É reação. Empresas maduras evitam esse cenário antecipando a pergunta:esse ERP aguenta o que estamos construindo? ERP como infraestrutura crítica, não ferramenta Empresas em maturidade 4–7 já passaram da fase do improviso. Elas não precisam de “mais um sistema”. Precisam de infraestrutura de gestão. ERP, nesse contexto, não é: Ele é a base que sustenta: Quando o ERP é tratado como infraestrutura, a pergunta deixa de ser “ele está estável?” e passa a ser “ele é confiável sob estresse?”. Estabilidade real é previsibilidade ERP realmente estável não é o que nunca dá erro. É o que: Esse tipo de estabilidade não aparece em uma semana. Ela é percebida ao longo do tempo, quando a empresa cresce e o sistema continua acompanhando. O papel do ERP moderno nesse cenário Soluções pensadas para empresas em crescimento — como o ERP Posseidom — partem do pressuposto de que o negócio vai mudar. Por isso, são desenhadas para: Não se trata de trocar o que está “quase dando problema”. Trata-se de evitar que o problema apareça. Conclusão Seu ERP pode estar funcionando hoje.A pergunta é se ele continua funcionando quando a empresa evoluir. Estabilidade não é silêncio.É capacidade de suportar pressão. Empresas que crescem sem avaliar a resiliência do seu ERP não estão economizando. Estão apenas adiando uma decisão que ficará mais cara no futuro. Antes que o sistema caia, vale fazer a pergunta incômoda:ele é estável ou só ainda não foi testado de verdade? Porque, em gestão, descobrir isso tarde demais costuma custar muito mais do que qualquer migração planejada.

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Código Como Produto: Repensando a Qualidade para Impacto Comercial

Introdução: A Falha Conceitual na Cultura de Engenharia A indústria de software está presa em um paradoxo que ninguém nomeou explicitamente: construímos código como se estivéssemos escrevendo para revistas de computação. O padrão oculto é o reconhecimento técnico—elegância arquitetural, implementação impressionante, soluções que demonstram domínio. Mas quando o código se torna um produto que precisa gerar receita, pagar salários e sustentar um negócio, essa mentalidade não apenas falha; ela consome recursos desnecessariamente. Há uma mudança fundamental que separa engenheiros juniores de sêniores genuínos: os sêniores entendem que código é capital. Não é um artefato de beleza técnica. É ativo que deve funcionar, ser mantido por equipes de tamanho variável e gerar valor previsível. Quando essa perspectiva muda, as decisões mudam. As prioridades mudam. O retorno sobre investimento muda. A Economia Real do Código: Por Que Bonito ≠ Rentável O Custo Invisível da Sofisticação Desnecessária Engenheiros experientes caem regularmente na armadilha de otimizar para algo que não gera retorno. Um exemplo concreto: um sistema de cache altamente sofisticado com padrões complexos que economiza 2% do tempo de resposta, mas que exigirá 40 horas por ano em manutenção e aumenta a curva de aprendizado de novos membros da equipe em duas semanas. A economia de performance não compensa o custo operacional. Este é um padrão recorrente que os sêniores que entendem produto reconhecem rapidamente: você está otimizando a função errada. O código que paga contas precisa ser otimizado para: Beleza técnica otimiza apenas a sensação do desenvolvedor lendo o código no momento da escrita. Isso durará talvez 30 minutos. O código será lido e modificado centenas de vezes depois, por pessoas diferentes, sob pressão, em contextos que o autor original não imaginou. Legibilidade para Times Médios, Não para Gênios Existe uma ilusão silenciosa nas organizações: código é escrito uma vez e lido muitas vezes. Isso é tecnicamente verdadeiro, mas incompleto. Código é modificado constantemente, e esse trabalho não é feito por gênios isolados. É feito por times de tamanho médio—desenvolvedores com 2-5 anos de experiência, generalistas que precisam mexer em áreas onde não são especialistas, e juniores aprendendo. Um sênior que valoriza impacto escreve pensando nessa realidade: Manutenibilidade Contra “Código Bonito”: O Conflito Real A Distinção Que Ninguém Faz “Código bonito” é um termo vago que cobre tudo desde padrões de design sofisticados até nomes inteligentes e estruturas algebricamente puras. Manutenibilidade é algo diferente: é como fácil é alguém não especialista no código conseguir mudá-lo sem quebrar coisas. Exemplo prático de conflito direto: Código “bonito” (altamente acoplado a conceitos de design patterns): EventBus .subscribe(UserRegistration) .pipe( filter(isValidEmail), debounce(1000), switchMap(validateDomain), mergeMap(sendEmail), shareReplay() ) Isso é elegante em abstração e demonstra domínio de programação reativa. Mas o próximo desenvolvedor que precisa adicionar logging para debugar por que emails não estão sendo enviados em certos horários vai passar 3 horas tentando entender o fluxo. A composição de operadores encadeia lógica de forma que requer compreensão profunda de RxJS. Código mantível (estruturado para clareza sobre elegância): const validateAndQueueEmail = async (registration) => { if (!isValidEmail(registration.email)) { logger.debug(‘Invalid email format’, { email: registration.email }); return; } const domain = registration.email.split(‘@’)[1]; const isDomainValid = await validateDomain(domain); if (!isDomainValid) { logger.warn(‘Domain validation failed’, { domain }); return; } await emailQueue.enqueue({ to: registration.email, template: ‘welcome’, userId: registration.userId });}; Menos elegante? Sim. Menos impressionante tecnicamente? Completamente. Mas qualquer desenvolvedor consegue ler, entender, debugar e modificar isso em 5 minutos. O código é produto, não performance de talento. A Verdade Incômoda: Elegância Pode Ser Egoísmo Técnico Um desenvolvedor sênior que insiste em padrões altamente sofisticados para um problema que seria solucionado de forma suficiente de forma simples está, na verdade, impondo seu ego sobre a economia do produto. Ele está dizendo: “Minha satisfação técnica importa mais que o custo operacional de manutenção futura.” Os melhores sêniores que trabalhei—os que realmente impactavam P&L—tinham uma característica incômoda: eles eram chatos sobre código simples. Chatos sobre nomes explícitos. Chatos sobre linhas longas que precisavam de quebras para legibilidade. Chatos sobre “não usar esse pattern legal porque ninguém no time além de mim entenderia direito”. Decisões Pensando no Próximo Dev: Engenharia como Responsabilidade Social O Custo do Código Ambíguo Quando você escreve código sem pensar em quem vai mexer nele, você está criando uma dívida que será cobrada com juros. Esse “próximo dev” pode ser: Cada um desses cenários demanda clareza diferente. Um sênior que escreve para produto não escreve para o melhor caso—a leitura desinteressada em circunstâncias ideais. Escreve para o pior caso—alguém estressado, com contexto limitado, tentando fazer uma mudança crítica. Padrões Concretos de Pensamento Centrado no Próximo Dev 1. Explique as limitações, não apenas as escolhas Em vez de: // Implementação otimizada de cache Escreva: // Cache implementado de forma simples em memória.// Não usar cache distribuído (Redis) porque:// – Reduz latência em <5%, não é nosso bottleneck agora// – Adiciona 20 minutos ao tempo de setup local// – Aumenta complexidade operacional sem ROI claro// Se P99 de response time passar de 500ms, reavalie Redis. 2. Documente as consequências de mudanças futuras // AVISO: Se essa função precisar ser async,// verifique se os três lugares que a chamam (veja linhas 45, 112, 203)// já estão preparados para promises. Mudança foi considerada antes e rejeitada. 3. Sinalize o “suficientemente bom” explicitamente // Esta regex funciona para 95% dos emails reais.// Aceita casos inválidos por spec da RFC, mas rejeita <0.1% de emails válidos.// Implementação “perfeitamente correta” adicionaria 200 linhas.// Trade-off: 5% de casos inválidos aceitos vs. complexidade muito maior. Impacto Sênior: Diferença Entre Reconhecimento e Valor Criado O Dilema do Engenheiro Sênior Há uma decisão que cada sênior genuíno enfrenta em algum momento: Esses dois caminhos se bifurcam e levam a lugares muito diferentes. O primeiro leva a reconhecimento em comunidades técnicas. O segundo leva a dinheiro—mais lucro para a empresa, mais segurança no emprego, mais promoções para “líder técnico” (o que realmente significa “o sênior que entende produto”). A verdade brutal é que a maioria dos engenheiros não faz essa escolha conscientemente. Eles apenas continuam fazendo o que os faz sentir bem—código sofisticado, patterns impressionantes, soluções que provocam “nossa, que..

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