Por que skills vão mudar seu jeito de codar ⚡

Skills são pacotes reutilizáveis de conhecimento: instruções, exemplos, scripts e até ferramentas externas, que ensinam o agente a executar um tipo de tarefa de forma consistente (por exemplo “projetar arquitetura hexagonal” ou “fazer security review OWASP”). Em vez de só “pedir ajuda pro chat”, você cria uma biblioteca de playbooks que podem ser usados por qualquer projeto, qualquer dev do time e, em alguns casos, até em diferentes IDEs.

Para empreendedor e profissional de TI, isso significa: menos tempo explicando o que quer, mais tempo validando resultado; menos risco de um júnior “inventar moda”, mais padronização de arquitetura, segurança, API e UX. O objetivo é que tarefas repetitivas (modelar entidades, criar endpoints, revisar segurança, montar UI base) viabilizem um fluxo quase “linha de produção” — você foca nas decisões estratégicas e deixa o agente executar o processo que você documentou nas skills.


Como cada IDE trata skills 🧩

Todas seguem a mesma ideia: arquivos de skill em Markdown, com nome, quando usar e as instruções, mas cada IDE tem sua forma de plugar isso no agente. O ponto em comum é que, quando você escreve um prompt, o agente escaneia as descrições das skills e “ativa” só as que fazem sentido para aquela tarefa.

🛰️ Antigravity

  • A Antigravity trata skills como “pacotes de conhecimento” que estendem o que o agente consegue fazer, cada um com instruções específicas para um tipo de tarefa.
  • Usa um formato padrão (SKILL.md) com descrição, contexto e instruções; o IDE só carrega o conteúdo completo da skill quando percebe que ela é relevante, para economizar contexto e deixar tudo mais eficiente.
  • Existem packs prontos (como um pacote com 58 skills cobrindo desde segurança, TDD, até gestão de produto) que você pode clonar e reutilizar como base.

🤖 Claude Code (incluindo uso via VS Code)

  • Claude Skills são pastas/arquivos com instruções, scripts e recursos que transformam Claude em um agente geral capaz de automatizar qualquer coisa que você faria via comandos no computador.
  • A documentação e guias enfatizam skills para tarefas repetíveis (documentos, testes, automação de Git, integrações) e boas práticas como foco em tarefas específicas, exemplos claros e edge cases.
  • No VS Code, extensões e configurações permitem usar arquivos SKILLS.md/pastas .claude/skills para que o chat use essas skills de forma automática, desde que a opção de agent skills esteja habilitada.

🧩 Cursor IDE

  • Cursor introduziu Agent Skills via arquivos SKILL.md, que podem conter comandos customizados, scripts e instruções procedurais específicas para cada tipo de tarefa.
  • O agente descobre quando usar cada skill comparando seu prompt com a seção “when to use/activation criteria” do arquivo, e pode encadear várias skills num único fluxo.
  • Você pode instalar skills prontos de repositórios GitHub ou criar os seus, definindo gatilhos como “sempre que eu pedir landing page” e detalhando o framework que quer que o agente siga.

🧩 VS Code (Copilot + instruções + skills)

  • O VS Code em si não é “um agente”, mas ele permite configurar instruções personalizadas para o GitHub Copilot Chat via arquivos de instruções em Markdown com frontmatter YAML e corpo de regras.
  • Você pode ter instruções por usuário ou por workspace (por projeto), e o VS Code inclusive gera automaticamente um arquivo .github/copilot-instructions.md baseado na análise do seu código para alinhar o comportamento da IA ao seu estilo.
  • Além disso, há suporte para SKILLS.md/pastas .claude/skills em conjunto com extensões compatíveis, permitindo que o chat use agent skills de forma semelhante ao Claude Code standalone.

Transformando sua lista única em skills práticas 🧠

A sua lista única já é, na prática, o mapa de quais skills você deveria criar primeiro: cada bloco vira um “pacote de skills” com variações focadas em tarefas específicas. Essa granularidade é importante porque as melhores skills são focadas em tarefas repetíveis, com critérios de ativação e exemplos muito claros.

Vou organizar sua lista em “famílias de skills” e indicar como desenhar cada uma de forma que funcione bem em Antigravity, Claude, Cursor e VS Code (via instruções/skills).

🏛️ Arquitetura e Engenharia de Software

Você pode criar múltiplas skills especializadas, por exemplo:

  • skill-arquitetura-camadas:
    • Quando usar: sempre que pedir para desenhar ou refatorar arquitetura de um serviço.
    • Instruções:
      • Forçar separação de camadas (domínio, aplicação, infraestrutura).
      • Exigir diagramas textuais e justificativa de trade-offs.
  • skill-modelagem-dominio:
    • Quando usar: sempre que pedir “modelar entidades”, “desenhar domínio”, “refinar agregados”.
    • Instruções:
      • Pedir uso de DDD (entidades, value objects, agregados), exemplos concretos e tabelas com atributos.
  • skill-estrutura-projeto:
    • Quando usar: criação de novo projeto ou reorganização.
    • Instruções:
      • Definir estrutura de pastas padronizada, convenções de nomes, princípios de modularização, exemplos de README inicial.

Essas skills encaixam bem em Antigravity e Cursor usando SKILL.md, e em Claude/VS Code como skills ou arquivos de instruções para orientar todo o código gerado pela IA.

🌐 Desenvolvimento de APIs

Aqui vale separar por tipo de tarefa:

  • skill-api-rest-design:
    • Definir convenções REST (nomenclatura de recursos, versionamento na URL ou header, status codes).
    • Exigir sempre exemplo de request/response e tabela de campos.
  • skill-api-integration-mapper:
    • Focada em integrações entre serviços, mapeando contratos, timeouts, políticas de retry, observabilidade.
  • skill-api-docs-openapi:
    • Gera/atualiza especificações OpenAPI/Swagger e snippets de documentação para portal de dev.

Essas skills podem chamar scripts auxiliares (por exemplo, geração automática de OpenAPI a partir de código) quando você estiver em ambientes que suportam scripts, como Antigravity e Claude com skills que acionam ferramentas externas.

🎨 Design e Identidade Visual

Mesmo para dev, é aqui que você ganha velocidade em UI/UX sem perder consistência de marca.

  • skill-design-system-frontend:
    • Define tokens de design (cores, spacing, tipografia), componentes padrões e regras de acessibilidade.
  • skill-ui-ux-flows:
    • Gera fluxos de telas, wireframes textuais e critérios de usabilidade para novas features.
  • skill-guidelines-visuais:
    • Garante que qualquer UI gerada siga o guia visual da marca (tom de voz, ícones, layouts preferidos).

Em Cursor e Antigravity, essas skills podem ser combinadas com outras, como “Frontend Builder” ou “Artifacts Builder”, para gerar rapidamente protótipos de UI consistentes com seu design system.

🛡️ Segurança da Informação

Aqui é onde usar skills fica quase obrigatório para reduzir risco e padronizar o mínimo aceitável de segurança.

  • skill-authz-authn:
    • Especifica padrões de autenticação (OAuth2, JWT, session-based) e autorização (RBAC/ABAC).
    • Exige checagem explícita de permissões em cada endpoint sensível.
  • skill-crypto-dados-sensiveis:
    • Define como encriptar dados em repouso e em trânsito, quais bibliotecas usar e quais práticas evitar.
  • skill-owasp-review:
    • Lista checklists OWASP Top 10, pede revisão automática do código com foco em injeção, XSS, autenticação quebrada etc.

No ecossistema Antigravity já existem skills voltadas para auditoria de segurança, incluindo checks baseados em OWASP, transformando o agente em um “red team” automatizado. Em Claude e Cursor, você pode acoplar scripts que rodem scanners ou linters de segurança via skills, ampliando essa cobertura.

🔄 Dados e Sincronização

Para produtos que precisam funcionar offline ou sincronizar entre cliente/servidor, vale encapsular esse conhecimento.

  • skill-offline-first-strategy:
    • Define padrões de armazenamento local (IndexedDB, SQLite, caches), política de conflito e reconciliação.
  • skill-sync-engine:
    • Descreve como implementar filas de sync, backoff exponencial, marcação de registros “sujos” e logs de sincronização.
  • skill-data-model-sync:
    • Faz a ponte entre modelo de domínio e persistência/sync (o que pode ser eventual, o que precisa ser forte, etc.).

Como muitas skills podem incluir scripts e ferramentas, Claude Skills e Antigravity são bons candidatos para automatizar testes de cenários offline/online e validar consistência dos dados.

🔔 Sistemas de Notificação

Por fim, tudo que envolve push, filas e mensageria pode ser altamente padronizado.

  • skill-push-notifications:
    • Define payloads padrão, chaves obrigatórias, boas práticas de opt-in/opt-out e limites de frequência.
  • skill-event-driven-architecture:
    • Padroniza nomes de eventos, contratos de mensagens, políticas de DLQ (dead-letter queue) e observabilidade.
  • skill-mensageria-robusta:
    • Ensina o agente a sempre considerar idempotência, retries, ordenação de mensagens e fallback.

Essas skills podem ser combinadas com scripts de teste de filas ou tools de testes de webhooks disponíveis via skills em Claude Code ou Antigravity.


Exemplos de uso de skills em cada IDE 💻

A seguir, ideias práticas de como você usaria essas famílias de skills no seu dia a dia, em cada ambiente. A lógica é a mesma: você configura as skills uma vez e depois só chama o agente com um pedido de alto nível.

🛰️ Antigravity

  • Criar um novo microserviço:
    • O agente ativa skills de arquitetura em camadas, modelagem de domínio e API REST para propor estrutura de projeto, entidades e endpoints iniciais.
  • Fazer um review de segurança:
    • Você roda o “security audit skill pack”, que inclui verificações OWASP automatizadas, análise de autenticação/autorização e sugestões de hardening.
  • Orquestrar um projeto inteiro:
    • Usando uma skill de “modo gerente” (como Loki Mode), o agente cria um plano, decompõe tarefas, escreve código, roda testes e faz autocrítica antes de entregar.

🤖 Claude Code (incluindo VS Code)

  • Automatizar documentação de APIs:
    • Uma Claude Skill pega seus controllers/handlers, gera OpenAPI, escreve exemplos e até atualiza docs em Markdown.
  • Rodar testes de UI e webapps:
    • Skills existentes podem acionar Playwright para testar aplicações web locais, capturar screenshots e reportar bugs.
  • Integrar com ferramentas externas:
    • Skills permitem que Claude acione Git, Notion, Slack, CRMs e outros sistemas para criar issues, atualizar tickets ou registrar decisões automaticamente.

No VS Code, você reforça isso adicionando arquivos de instruções que dizem ao Copilot/Claude “sempre seguir meus padrões de arquitetura, segurança e design” no contexto daquele workspace.

🧩 Cursor IDE

  • Criar uma landing page técnica:
    • Uma skill específica para landing pages define o layout, seções obrigatórias e tom de voz; outra skill cuida do design system, e outra puxa dados de pesquisa/SEO.
  • Refatorar um módulo legado:
    • Skills de arquitetura, testes e segurança são acionadas para propor refactor, criar testes de regressão e garantir que novos endpoints sigam padrões REST.
  • Construir um dashboard rapidamente:
    • Você instala skills de UI builder e data modeling, e o agente conecta ambas para gerar componentes, consultas e layout em um só fluxo.

Plano em 7 passos para começar hoje 🚀

Se você quer transformar essa lista única em um “stack de skills” de alto impacto, recomendo priorizar poucos blocos, mas muito bem definidos. A ideia é que, em 1–2 semanas, você tenha uma fundação reutilizável em qualquer IDE compatível.

  1. 🎯 Escolha 3 áreas críticas
    • Sugestão: Arquitetura, APIs REST e Segurança (OWASP + autenticação).
    • São as que mais reduzem retrabalho, bugs críticos e discussões subjetivas no time.
  2. 📝 Defina padrão de formato (SKILL.md / instructions)
    • Use o formato sugerido pelas plataformas: SKILL.md/SKILLS.md para Antigravity, Cursor, Claude; arquivos de instruções Markdown com frontmatter para VS Code.
    • Inclua sempre: nome, “quando usar”, objetivos, passos, exemplos e limites do que a skill não deve fazer.
  3. 🧱 Crie 1 skill core por área
    • Arquitetura: skill-arquitetura-camadas.
    • API: skill-api-rest-design.
    • Segurança: skill-owasp-review.
  4. 🔁 Teste em todos os ambientes que você usa
    • Antigravity: associe as skills ao agente principal e rode em um projeto real.
    • Claude/Copilot/VS Code: configure pastas .claude/skills e arquivos de instruções do workspace.
    • Cursor: crie SKILL.md e dispare via prompt ou menu de skills.
  5. 📈 Itere com base em falhas reais
    • Toda vez que o agente errar algo de arquitetura, API ou segurança, ajuste a skill em vez de apenas “corrigir na mão”.
    • Pense como versão de produto: v1v1.1, etc.
  6. 🤝 Compartilhe com seu time (ou audiência)
    • Centralize suas skills em um repositório Git, como já fazem pacotes agregadores de skills para Antigravity e Claude.
    • Isso vira um diferencial competitivo: seu “playbook codificado” que onboarda novos devs muito mais rápido.
  7. 🔄 Expanda para Design, Dados e Notificações
    • Quando o núcleo estiver sólido, adicione skills para design system, offline-first, mensageria e notificações.
    • Mantenha sempre o foco: cada skill resolve um problema bem definido, não vire um “documentão genérico”.

📌 Call to action direto: escolha hoje 3 skills da sua lista (uma de arquitetura, uma de API, uma de segurança), escreva a primeira versão em SKILL.md e teste em um projeto real em Antigravity, Claude ou Cursor. Na próxima conversa, se quiser, posso te ajudar a revisar o texto dessas 3 skills linha a linha para maximizar clareza, gatilhos de ativação e impacto na sua rotina.

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