Você já passou semanas codando uma feature que ninguém usou? Ou descobriu no último sprint que a arquitetura inteira precisava mudar porque “alguém” esqueceu de mencionar requisitos de segurança? Não é falta de skill técnico. É falta de um PRD decente no início. O Problema Que Ninguém Quer admitir O PRD (Product Requirements Document) não é documentação corporativa chata. É o mapa de tesouro que separa projetos que entregam valor daqueles que viram refugo técnico. Para desenvolvedores experientes, o PRD é um contrato claro: ele elimina adivinhação, protege contra scope creep e garante que sua expertise seja usada no lugar certo. Sem ele, você vira marionete de reuniões intermináveis e mudanças de última hora. O Que Um PRD De Verdade Deve Ter 🎯 Visão de Produto e Objetivos Claros Comece com o porquê. Por que este projeto existe? Qual problema real de negócio ele resolve? Um bom PRD responde em uma frase: “Vamos construir X para que [persona] consiga fazer Y, gerando Z de impacto.” Sem isso, você está construindo castelos de areia. 📋 Requisitos Funcionais que Guar demanding Aqui você detalha o quê construir, não como construir. Cada feature precisa de: Exemplo prático: “Sistema de autenticação deve permitir login via Google, GitHub e e-mail. Tempo máximo de resposta: 200ms. Suporte a 2FA obrigatório para contas admin.” 🔒 Requisitos Não-Funcionais: Onde a Maioria Quebra a Cara Esta seção é o ouro para desenvolvedores experientes. Ela define as regras do jogo: Performance: “API deve responder em <100ms para 95% das requisições, suportando 10k RPM.” Escalabilidade: “Arquitetura deve suportar 10x de crescimento sem refactoring major.” Segurança: Implementação de OWASP ASVS Level 2, criptografia AES-256 em dados sensíveis, política de senhas com 12 caracteres mínimo. Disponibilidade: “SLA de 99,9% (8h45min de downtime/mês máximo).” Compliance: GDPR, LGPD, SOC 2 Type II. 🎨 UX/UI: Mais Que Telas Bonitas O PRD não substitui o designer, mas orienta decisões críticas: Exemplo: “Dashboard financeiro deve mostrar KPIs em cards grandes, visíveis a 2m de distância, atualização em tempo real via WebSocket.” ⚙️ Decisões Arquiteturais e Stack Tecnológico Aqui você documenta escolhas técnicas que impactam todo o projeto: Importante: Justifique cada escolha. “Usamos PostgreSQL porque precisamos de ACID strict e temos expertise interna. Redis para cache porque hit rate projetado é >85%.” Como o PRD Guia a IA na Criação da Arquitetura 🤖 Da Especificação para Código em Minutos Com um PRD bem escrito, você pode alimentar a IA com contexto rico em vez de prompts vagos. Veja a diferença: Prompt ruim: “Crie uma API de autenticação.” Prompt com PRD: “Baseado neste PRD, gere uma arquitetura de autenticação que suporte 10k RPM, OAuth 2.0 com Google/GitHub, 2FA obrigatório para admins, usando Node.js, Redis para sessões, PostgreSQL para users, com rate limiting de 100 req/min por IP. Inclua diagrama de sequência e estrutura de pastas.” 📐 Exemplo Real: Sistema de E-commerce PRD especifica: IA gera: Resultado: Você economiza dias de design inicial e foca em ajustar o que a IA gerou. Pontos Importantes que Não Podem Faltar 🛡️ Requisitos de Segurança (OWASP + IA) Documente ameaças específicas e contramedidas: Use frameworks como STRIDE para brainstorming de ameaças. ⏱️ Performance e Escalabilidade Seja específico nos benchmarks: 📊 Observabilidade e Debugging Defina o que monitorar desde o dia 1: 🧪 Estratégia de Testes 🚀 CI/CD e Deployment Template PRD Pronto para Usar Aqui está uma estrutura que você pode copiar e colar: text# Projeto: [Nome do Sistema] ## 1. Visão e Objetivos **Problema**: [Descreva a dor do usuário] **Solução**: [O que vamos construir] **Sucesso**: [Métricas quantitativas] ## 2. Requisitos Funcionais ### Feature 1: [Nome] – **User Story**: “Como [persona], quero [ação] para [benefício]” – **Critérios de Aceitação**: [Lista verificável] – **Prioridade**: Must-have ## 3. Requisitos Não-Funcionais ### Performance – P95 <200ms – Suporta 10k RPM ### Segurança – OWASP ASVS L2 – 2FA obrigatório para admins ### Escalabilidade – Horizontal scaling com K8s – Database sharding ready ## 4. Arquitetura – **Stack**: Node.js 20, PostgreSQL 15, Redis 7 – **Padrão**: Microserviços sincronos/async – **Justificativa**: [Por que esta arquitetura] ## 5. UX/UI – **Personas**: [3 principais] – **Jornadas**: [Fluxos críticos] – **Diretrizes**: Mobile-first, WCAG 2.1 AA ## 6. Segurança – **Threat model**: [Link para documento] – **Controles**: Rate limiting, WAF, JWT – **Compliance**: LGPD, GDPR ## 7. Observabilidade – **Metrics**: Prometheus, Grafana – **Tracing**: OpenTelemetry – **Logging**: Loki, 30 dias retenção ## 8. Testes – **Cobertura**: Mínimo 80% – **Performance**: Testes de carga com k6 – **Security**: OWASP ZAP no CI ## 9. Deployment – **Estratégia**: Blue-green – **Rollback**: <2min – **SLA**: 99,9% uptime ## 10. Fora do Escopo – [Lista explícita do que NÃO fazer] Dicas de Quem Já Queimou a Língua Não documente demais: PRD não é bible. Use “just enough” para alinhar, não sufocar. Atualize sempre: PRD vivo > PRD perfeito. Novas descobertas? Atualize. Arquitetura mudou? Documente o porquê. Review técnico obrigatório: Nenhum PRD deve ser aprovado sem review de dois devs sêniors. Eles vão achar os buracos que você não viu. Link tudo: PRD é o hub. Linke designs, RFCs, decisões arquiteturais, dashboards. Facilite o deep dive. Conclusão: PRD Como Filtro de Projeto Um PRD bem escrito funciona como filtro: se você não consegue preencher as seções de requisitos não-funcionais ou arquitetura, o projeto não está pronto para começar. Para desenvolvedores experientes, o PRD é seu melhor amigo: protege seu tempo, direciona sua expertise e garante que você constrói coisas que importam. E com IA no time, um PRD detalhado transforma de “escrever código do zero” para “orquestrar arquiteturas inteligentes”. Na dúvida, lembre-se: sem PRD, você não está desenvolvendo, está adivinhando. E adivinhação não escala.
